A atuação da Fundação de Apoio à Educação e ao Desenvolvimento Tecnológico do Rio Grande do Norte (Funcern) na gestão e no apoio a projetos de pesquisa tem contribuído para aproximar instituições de ensino e pesquisa de iniciativas capazes de produzir impactos científicos, tecnológicos e sociais. Um exemplo dessa atuação é a parceria com o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Goiás (IFG) na execução do projeto “Nanotecnologias para o desenvolvimento sustentável”, desenvolvido no Campus Jataí.
O projeto prevê a transferência de recursos para a execução da iniciativa e tem como público-alvo docentes e discentes do IFG. Nesse contexto, a Funcern atua como fundação de apoio à execução do projeto, contribuindo para que os recursos destinados à pesquisa sejam transformados em infraestrutura, oportunidades de formação e condições para o desenvolvimento das atividades científicas.
Ao apoiar iniciativas como essa, a Fundação participa de uma cadeia que começa no financiamento à pesquisa e pode resultar na formação de novos pesquisadores e no desenvolvimento de soluções para problemas que afetam a sociedade. No caso do IFG, os investimentos estão relacionados à implantação do Laboratório de Modelagem Computacional de sistemas Físicos, Atômicos e Moleculares (LMCFAM), estrutura que deverá ampliar a capacidade de pesquisa científica e tecnológica da instituição.
Para a gerente de Projetos da Funcern, Maria Isabel Dantas, a parceria com o IFG amplia a atuação da Fundação para uma região distante de seus limites territoriais e contribui para fortalecer a pesquisa e a inovação fora dos grandes centros tecnológicos. De acordo com a gestora, a experiência também reforça o papel social da Funcern, que vai além da gestão de recursos e envolve a promoção da pesquisa, do ensino e da extensão nas instituições apoiadas. A iniciativa, destaca Isabel, também permite à Fundação participar de um projeto com potencial de impacto para a ciência, a instituição e a sociedade.

Parceria que transforma pesquisa em inovação
Coordenado pelo professor Rodrigo Lemos Silva, do Campus Jataí, o projeto trabalha com nanotecnologias voltadas à detecção e captura de poluentes em meios gasoso e aquoso. A pesquisa também envolve sequestro e reaproveitamento de carbono para a produção de combustíveis sintéticos, desenvolvimento de nanosensores para a detecção de biomarcadores de doenças raras e aplicação de inteligência artificial à modelagem atômica e molecular.
As diferentes frentes da pesquisa estão relacionadas a desafios ambientais, energéticos, de saúde e de inovação. Entre os objetivos estão o desenvolvimento de materiais capazes de identificar e capturar contaminantes presentes na água e no ar; a investigação de formas de captura e reaproveitamento de gases que contribuem para o aquecimento do planeta; o desenvolvimento de modelos de nanossensores para identificação de biomarcadores de doenças raras; e a utilização de inteligência artificial para acelerar pesquisas científicas e contribuir com novas tecnologias para o ensino de ciências.
É nesse ponto que a atuação da Fundação ganha dimensão estratégica: ao apoiar a execução de projetos dessa natureza, a Funcern contribui para que recursos destinados à ciência e à tecnologia se convertam em infraestrutura e oportunidades concretas para instituições de ensino e pesquisa.

Para Rodrigo, a implantação da estrutura permitirá ampliar as possibilidades de pesquisa e formação no Campus Jataí. De acordo com o coordenador, estudantes do ensino médio técnico integrado, da graduação e da pós-graduação poderão participar de atividades relacionadas à modelagem computacional e à inteligência artificial, enquanto docentes e pesquisadores poderão estabelecer colaborações com instituições nacionais e internacionais.
Infraestrutura que amplia o alcance da pesquisa
O projeto está dividido em duas etapas: a primeira corresponde à implantação física do laboratório e será concluída com o comissionamento dos equipamentos; a etapa seguinte contempla a execução científica das pesquisas previstas.
A estrutura criada a partir do projeto terá ainda uma característica que amplia o alcance da iniciativa: o LMCFAM será um laboratório multiusuário, aberto ao recebimento de projetos científicos que possam utilizar sua infraestrutura. Com isso, a estrutura poderá atender diferentes pesquisas e estimular um ambiente de colaboração científica.
Conforme explica Rodrigo, o conjunto de computadores de alta capacidade do laboratório, conhecido como cluster computacional, deverá ser o segundo mais potente do estado de Goiás. A capacidade permitirá realizar, em horas ou dias, cálculos que poderiam levar meses ou até anos em um computador pessoal de alto desempenho.
Além da infraestrutura, a iniciativa parte de uma trajetória de pesquisa já desenvolvida pelo grupo. Antes mesmo da execução da etapa científica do novo projeto, trabalhos relacionados à temática já foram publicados em revistas científicas internacionais, incluindo estudos sobre captura de gases de efeito estufa, remoção de contaminantes farmacêuticos da água e estabilidade de nanomateriais.

Conexões que impulsionam a pesquisa
A experiência com o IFG integra a atuação da Funcern no apoio a projetos que envolvem instituições de ensino, pesquisa e desenvolvimento tecnológico. No caso da iniciativa desenvolvida no Campus Jataí, esse processo envolve a implantação de uma infraestrutura de pesquisa avançada, a participação de estudantes e docentes e a criação de condições para novas colaborações científicas.
Mais do que a aquisição de equipamentos, o investimento cria possibilidades de continuidade. Com um laboratório multiusuário, capacidade computacional elevada e participação de estudantes em diferentes níveis de formação, os resultados esperados ultrapassam os limites de uma única pesquisa e podem beneficiar outras iniciativas científicas.
É essa perspectiva de apoio à ciência e de fortalecimento das instituições parceiras que evidencia a importância da atuação da Funcern: contribuir para que projetos de pesquisa saiam do planejamento e se transformem em estruturas, conhecimento, formação acadêmica e novas possibilidades de desenvolvimento científico e tecnológico.