FUNCERN participa da 14ª edição do Ateliê a Céu Aberto e da entrega do 12º Prêmio Ruy Pereira de Artes Visuais

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A Fundação de Apoio à Educação e ao Desenvolvimento Tecnológico do Rio Grande do Norte (FUNCERN) participou, na última sexta-feira (23), da 14ª edição do Ateliê a Céu Aberto, o maior evento de artes visuais do estado. A ação aconteceu no Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN), Campus Natal – Centro Histórico. Ao final do evento, foi realizada a entrega do 12º Prêmio Ruy Pereira de Artes Visuais, que reconhece e incentiva artistas participantes. 

Representando a gestão da FUNCERN, esteve presente a assessora especial Julliany Trindade. A edição deste ano teve como tema “Romance centenário: as cores de Dona Militana” com o intuito de homenagear uma das figuras mais emblemáticas do Rio Grande do Norte.

O Ateliê a Céu Aberto é de um laboratório criativo anual, no qual são produzidas obras ao vivo para interação com visitantes, reunindo diversas linguagens das artes visuais, incluindo pintura, escultura, arte digital e intervenções urbanas. O evento contou com oficinas, atividades formativas e apresentações musicais.

Fábio Duarte, professor de Biologia do Campus Centro Histórico e coordenador do projeto, explicou que a iniciativa é mais do que uma ação de extensão: “É uma grande festa porque reúne uma variedade de artistas para confraternização, troca de experiências e produção de obras de forma coletiva, o que torna o evento enriquecedor para o fortalecimento da cultura e da valorização do artista visual no Rio Grande do Norte”. Estima-se que cerca de 100 artistas locais tenham participado do Ateliê. 

12º Prêmio Ruy Pereira de Artes Visuais

Desde a 5ª edição do Ateliê a Céu Aberto, foi estabelecido o concurso Ruy Pereira. Cada profissional inscrito deve produzir uma obra original com base no tema para ser avaliada no final da ação. São distribuídas premiações até o 5º lugar, com direito a uma categoria extra voltada para o voto do povo, com gratificações simbólicas: 

1º lugar: R$ 3.000,00

2º lugar: R$ 2.300,00

3º lugar: R$ 1.600,00

4º lugar: R$ 1.200,00

5º lugar: R$ 800,00

Prêmio Votação Popular: R$ 400,00

Além disso, o evento prevê um prêmio de participação no valor de R$ 200, voltado para os 40 artistas com maior histórico de presença em edições anteriores, e conta também com a categoria Artista Jovem, destinada a crianças e adolescentes de até 16 anos, com caráter formativo e não competitivo. 

O vencedor do 1º lugar deste ano foi o artista plástico Régio Potiguar, natural de Ceará Mirim–RN, especialista nas técnicas de óleo sobre tela, acrílico, desenho e aerografia. Segundo ele, o evento é de suma importância para proporcionar visibilidade, oportunidade e a busca de contatos profissionais na área para artistas da região. 

“Eu costumo dizer que, por se tratar de uma competição, você pode até não sair com um prêmio, mas definitivamente sai com um amigo, um colega, alguém com quem, de repente, possa colaborar no futuro. Apesar de cada um aqui possuir sua particularidade, a arte une pessoas, mundos e ideias. Essa questão da subjetividade é o que fala mais alto, é o que aflora as habilidades de cada profissional desde os primórdios até os dias atuais”, enfatizou. 

Dona Militana, um legado de história e tradição

Militana Salustino do Nascimento, conhecida como “Dona Militana”, nasceu em 19 de março de 1925, no sítio Oiteiros, na comunidade de Santo Antônio dos Barreiros, em São Gonçalo do Amarante, na região metropolitana de Natal. Reconhecida como a maior romanceira do Brasil, Dona Militana era uma cantora e contadora de histórias, que, apesar das limitações do analfabetismo e restrições familiares, teve um papel fundamental na preservação de romances medievais e ibéricos, além de cantos tradicionais. 

Suas histórias eram passadas por meio de gerações por meio da tradição oral, com narrações de feitos heroicos e emocionantes de guerreiros, reis, princesas, duques e duquesas, o que a tornou uma “enciclopédia viva”. Em setembro de 2005, recebeu das mãos do presidente Lula a Comenda Máxima da Cultura Popular, sendo consagrada como a principal e última guardiã do romanceiro medieval nordestino. Em 2010, faleceu, mas seu legado segue vivo na memória do imaginário potiguar.