FUNCERN promove palestra sobre prevenção ao assédio moral no trabalho

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A ação teve como objetivo debater a temática para a preservação da saúde mental e emocional dos colaboradores

Nesta quinta-feira (9), a FUNCERN promoveu a palestra "Respeito que Transforma: Construindo um Ambiente de Trabalho Livre de Assédio", ministrada pelo psicólogo do trabalho da Fundação, Milton Dantas. O encontro aconteceu na sala de reuniões da FUNCERN, em dois horários: das 9h às 10h e das 10h15 às 11h15, e contou com a participação de gestores, coordenadores, celetistas e estagiários.

O palestrante deu início à sua fala enfatizando a importância da construção de uma cultura organizacional inclusiva e baseada no respeito à diversidade, uma responsabilidade de todos que compõem o ambiente de trabalho. Em seguida, expôs dados dos últimos anos da pesquisa anual Mapa do Assédio no Brasil, elaborada pela KPMG, que registrou 116.739 novos processos por assédio moral no trabalho em 2024.

O levantamento também apontou 8.622 casos de assédio sexual, 35% a mais do que o número registrado no ano anterior, o que indica um crescimento dos casos a cada ano. A edição de 2025, realizada entre 1º de outubro e 4 de novembro de 2025, revelou que praticamente um terço dos brasileiros sofreu algum tipo de assédio nos últimos 12 meses. Dentre esses, 44% relataram assédio moral ou psicológico.

Um dado recorrente é a existência de subnotificação. Tanto a pesquisa referente a 2024 quanto a de 2025 revelaram que grande parte das vítimas não denuncia a ocorrência, seja por medo de exposição, de retaliação ou pela falta de retorno dos canais formais. Os números apresentam um déficit de confiança nas estruturas existentes e apontam a necessidade de mecanismos acessíveis e acolhedores para prevenir os impactos na saúde mental e emocional das vítimas.

Segundo Milton, fatores como assédio, exclusão e discriminação no ambiente de trabalho tornam-se prejudiciais ao psicológico devido à associação feita entre o ato de trabalhar e a busca pelo sustento ou pela manutenção da sobrevivência, fundamentais para a preservação do bem-estar e da qualidade de vida.

Contudo, as consequências variam de acordo com o significado que o trabalho representa na vida de cada um. Por exemplo, se a profissão está diretamente relacionada a um sonho ou objetivo, o impacto tende a ser maior do que para as pessoas que enxergam o cargo atual como temporário ou como um degrau para atingir outro patamar. "Nunca é só o ato, é o que representa para cada um", alertou o palestrante.

O assédio, em específico, pode se caracterizar como um comportamento repetitivo que causa constrangimento, humilhação, desqualificação ou isolamento. Porém, dependendo da intensidade, o impacto pode ser ainda maior. Situações em que um superior ou colega de trabalho se exalta e demonstra agressividade podem configurar assédio, independentemente da quantidade de repetições.

Milton explicou que, em casos mais leves, nos quais não há a intenção de ofender, mas a vítima interpreta a situação como ofensiva, é importante que haja a comunicação do incômodo — não por meio de imposição, mas de posicionamento, para sinalizar o desconforto. Se, ainda assim, houver insistência, o ato passa a configurar assédio moral.

Em caso de dúvidas, Milton destacou que é importante não arriscar: "Tente brincar sem ofender, utilizando piadas impessoais, que não falem do outro e respeitem o momento e a geração atual de cada um. Acima de tudo, venha, faça o seu trabalho e seja cordial com todos."

É papel dos gestores e coordenadores dar exemplo aos demais colaboradores por meio do diálogo e da escuta, mantendo tolerância zero para qualquer forma de assédio ou constrangimento, já que a tendência é que os trabalhadores absorvam comportamentos e posturas de seus líderes.

"O cuidado é contínuo, é uma responsabilidade individual e coletiva. Como psicólogo, percebo como as pessoas negligenciam a saúde mental, priorizando o cuidado psiquiátrico por meio de remédios. Mas, sem a terapia, sem o diálogo, não há processo de cura. Então, ações como esta, que debatem a temática de forma transparente e honesta, são de extrema importância", comentou o palestrante.

Durante a palestra, o coordenador do Núcleo de Comunicação e Marketing e a coordenadora de Gestão de Pessoas, Bruno Gomes e Kalyne Santos, intervieram para citar outros mecanismos de combate ao assédio e de denúncia. Não é obrigatório comunicar o perpetrador. O caso pode ser levado à coordenação do setor, à Ouvidoria, à Comissão de Ética, à Gestão de Pessoas ou ao próprio psicólogo do trabalho. "Hoje, a FUNCERN assegura o trabalhador", disse Bruno.

"Nós temos a atuação do psicólogo do trabalho aqui na Fundação, disponível a cada 15 dias, como um espaço de acolhimento por meio de um profissional técnico que vai abraçar vocês. Então, expressem-se, comuniquem-se. Essa é a mensagem que a FUNCERN quer passar para vocês", finalizou Kalyne.