FUNCERN realiza encontro em comemoração ao Dia Internacional da Mulher

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A Fundação de Apoio à Educação e ao Desenvolvimento Tecnológico do Rio Grande do Norte (FUNCERN) realizou, na última segunda-feira (9) um café da manhã em comemoração ao Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março. O encontro contou com a presença da promotora de Justiça, Érica Canuto, e o juiz de Direito, Fábio Ataíde, que trataram do tema “Respeito e proteção no trabalho: prevenção ao assédio e combate às violências contra as mulheres”. 

A iniciativa é mais uma ação do Integra FUNCERN, projeto estratégico vinculado à Gestão de Pessoas e ao Núcleo de Comunicação e Marketing que promove o debate social, político e cultural relacionado ao cotidiano dos colaboradores. A abordagem de temáticas como o papel da mulher na sociedade, a politização do espaço feminino e o combate à violência de gênero e a misoginia como um todo é fundamental para a cultura organizacional da Fundação.  

Reconhecimento e proteção das mulheres 

O evento teve início com a fala de Tânia Costa, que deu as boas-vindas aos convidados e fez um breve discurso. Em seguida, a promotora de Justiça de Defesa da Mulher, Érica Canuto, compartilhou histórias de figuras marcantes do feminismo potiguar, como Clara Camarão, Nísia Floresta, Julia Medeiros, entre outras. Segundo ela, reconhecer a própria história é essencial para que as próximas gerações preservem suas origens. 

A palestrante enfatizou também o pioneirismo do Rio Grande do Norte, o primeiro estado a ter mulheres votantes no país e o primeiro da América Latina a eleger uma prefeita, mas afirmou que não é o suficiente para o avanço da representatividade feminina no país. “A gente não pode viver de pioneirismo, nós temos que ocupar esses espaços. Se as mulheres representam 53% da população, é justo que ocupemos 53% de todas as vagas”, explicou. 

A fala de Fábio Ataíde, coordenador da Violência Doméstica do Tribunal de Justiça do estado, por sua vez, destacou a importância de ações voltadas para a conscientização não apenas das mulheres, mas também dos homens, e citou dados relevantes. 

Uma pesquisa publicada em 2025 pela empresa de consultoria Tewá 225, composta inteiramente por mulheres, apurou as “Piores Cidades Para Ser Mulher” e constatou que 99% dos grandes e médios municípios brasileiros ultrapassaram a taxa de 3 mortes violentas por 100 mil mulheres, limite estabelecido como inaceitável pela Organização das Nações Unidas (ONU). 

No Rio Grande do Norte, Natal aparece em quarto lugar do ranking das piores capitais em todos os indicadores, sobretudo os de viés político. Segundo o juiz, para combater o machismo estrutural, é necessário compreender como afeta todos que estão inseridos na sociedade, contribuindo para a manutenção do sistema, já que até as mulheres acabam por reproduzir ideais contrários ao movimento feminista. 

Além disso, Fábio compartilhou estatísticas do Tribunal de Justiça e alertou para o cuidado e a proteção das mulheres no estado. De acordo com o magistrado, em 2024, o Rio Grande do Norte ultrapassou a quantidade de mil medidas protetivas por ano, mas, considerando apenas a média de janeiro deste ano, a expectativa é que haja um aumento ainda maior em relação aos dados anteriores. 

“Isso é um sinal de que as mulheres estão pedindo socorro. Elas estão buscando ajuda e utilizando os mecanismo institucionais, o que é bom, mas trata-se também de um indicador concreto do que estão acontecendo no país hoje”, refletiu. 

Ao final do evento, os colabores tiveram a oportunidade de participar da discussão, com os próprios questionamentos, incentivando a troca de conhecimentos. Logo depois, foi realizado um coffee break para os participantes, mas segundo a superintendente da FUNCERN, a iniciativa trata-se de mais do que uma simples comemoração. “O Dia Internacional da Mulher é um dia de relembrarmos as lutas históricas de todas as mulheres. Vai além de um café da manhã ou um brinde”, finalizou Tânia Costa.