Gestão da FUNCERN participa de evento do Banco do Brasil em celebração à representatividade feminina no âmbito empresarial
A Fundação de Apoio à Educação e ao Desenvolvimento Tecnológico do Rio Grande do Norte (FUNCERN) participou, na última terça-feira (24), do evento “Vozes Femininas: Histórias de Coragem e Transformação”, organizado pelo Setor Público do Banco do Brasil (BB). A ação aconteceu na agência do banco localizada no bairro Cidade Alta, em Natal (RN), e teve como objetivo celebrar a força da mulher no âmbito empresarial.
Representando a gestão da FUNCERN, estiveram presentes a superintendente, Tânia Costa, e a coordenadora de Relações Comerciais e Institucionais, Laís Correia, a convite das gerentes de Relações do Setor Público do BB, Ângela Peixoto e Wadna de Azevedo. Também participaram do encontro a gerente de Serviços, Wanessa Carvalho; os assistentes de Negócios, Isadora Soares, Lícia Berger, Luciano Brito e Sara Franca; e os assistentes de Operações, Alinne Faustino, Cristiano Herpes, Débora Viana e Ana Izadora Silva.
Segundo Ângela, o evento teve como propósito fazer alusão ao Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, além de destacar o mês como período de valorização das vozes femininas.
“Queríamos um momento descontraído de reflexão sobre as histórias de transformação de mulheres que ocupam cargos de liderança e as dificuldades que enfrentaram para chegar onde estão. Para isso, convidamos a FUNCERN, parceira do Banco há bastante tempo, para estreitar ainda mais esse relacionamento”, explicou.
A parceria entre a Fundação e o Banco do Brasil está consolidada desde o início da relação institucional. Nos últimos anos, contudo, esse vínculo se fortaleceu em razão do volume significativo de projetos do BB geridos atualmente pela FUNCERN.
Laís Correia e a versatilidade feminina
Durante sua fala, Laís abordou a temática “Coragem que Transforma, Voz que Inspira” a partir de suas vivências, não apenas como coordenadora de Relações Comerciais e Institucionais da FUNCERN, mas também nos diversos papéis socialmente atribuídos às mulheres, como filha, irmã, mãe, amiga e esposa.
Segundo ela, ainda prevalece a crença de que a mulher precisa ser bem-sucedida em todas as áreas da vida — trabalho, casa, família e casamento —, responsabilidade que não é igualmente exigida dos homens. Embora essa mentalidade contribua para movimentos como o empoderamento feminino e o “girl power”, na prática pode se tornar nociva, gerando consequências à saúde física e mental, como ansiedade e esgotamento profissional (burnout).
Esse foi o caso da própria Laís: “Precisei passar por um duro processo de ressignificação para enxergar quem, de fato, eu sou, porque, na nossa jornada, via de regra, somos definidas mais pelo diploma, pelos cursos e pelo cargo do que por quem somos como pessoas”, relatou.
A coordenadora revelou que chegou a considerar desistir da carreira para se dedicar integralmente à vida doméstica e aos cuidados com a filha, ainda criança, devido às viagens frequentes exigidas pelo trabalho, o que a fazia sentir-se ausente como mãe.
No entanto, destacou a importância do equilíbrio e da reflexão sobre escolhas pessoais: “Ao abrir mão, você está renunciando a si mesma — e até que ponto isso é saudável? O que isso comunica para sua filha? Que é impossível ser uma mãe presente e realizada profissionalmente? Então, nasce uma mãe e nasce uma culpa”.
Laís também enfatizou a importância de uma rede de apoio para mulheres que vivenciam essa jornada dupla, reconhecendo seus próprios privilégios e destacando a FUNCERN como fundamental para seu crescimento profissional e pessoal desde sua entrada na instituição, em 2013, ainda como bolsista.
“A FUNCERN é uma instituição diferenciada, pois permite uma relação mais humana, especialmente por meio da gestão executiva, hoje comandada por mulheres. Temos oportunidades que muitas outras não têm, já que nem todas as empresas possuem esse olhar”, afirmou.
Ela finalizou agradecendo o convite e a oportunidade de compartilhar sua trajetória: “Para mim, enquanto coordenadora de Relações Comerciais e Institucionais, é algo novo falar sobre mim, tão acostumada a falar sobre a Fundação — seus feitos e potencialidades. Agradeço à nossa gerente e a todas as mulheres que compartilharam conosco essa manhã de conversa, reflexão, insights e, acima de tudo, fortalecimento coletivo”.
Tânia Costa e a recuperação da representatividade histórica
A superintendente da FUNCERN, por sua vez, iniciou sua fala relatando sua trajetória desde o nascimento em Santana dos Matos até a mudança para Natal, junto aos nove irmãos, e as dificuldades enfrentadas na capital. Ao dividir a casa da família com hóspedes do hotel administrado por seus pais, Tânia destacou que aprendeu, desde cedo, a valorizar a diversidade.
Na universidade, participou do movimento estudantil. No Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN), atuou como docente e diretora de ensino do Campus Natal Central, experiências que contribuíram para que hoje ocupe o cargo mais alto da Fundação de Apoio, sendo a primeira mulher nomeada em 26 anos.
Segundo ela, a representatividade feminina é essencial em todas as áreas, especialmente quando há identificação com o contexto local. “Muitas vezes buscamos referências distantes da nossa realidade, que falam outra língua e compartilham vivências diferentes, e esquecemos da nossa própria história. Por isso, é importante resgatar essas trajetórias”, afirmou.
Ela citou nomes potiguares como Alzira Soriano, primeira prefeita da América Latina; Nísia Floresta, precursora do feminismo no Brasil; e Celina Guimarães, pioneira do voto feminino no país.
A superintendente ressaltou ainda que o debate sobre o papel da mulher na sociedade e a presença feminina em cargos de liderança — ainda predominantemente ocupados por homens — é fundamental para ampliar espaços.
“Hoje, são 22 campi do IFRN, e apenas uma mulher ocupa o cargo de diretora-geral. Quando me tornei superintendente, assumi inicialmente de forma interina, o que ainda é muito comum, como se precisássemos ser constantemente testadas”, criticou. “Mas avançamos: hoje temos duas mulheres na gestão executiva e contamos com uma presidente. Eventos como este, que promovem a troca de experiências, só enriquecem a todas nós”, concluiu.