Missão à China amplia cooperação internacional entre FUNCERN, IFRN e universidades chinesas
O gerente Administrativo e Financeiro da FUNCERN, Francisco Pontes, acompanhado do reitor do IFRN, José Arnóbio, esteve, entre os dias 17 e 30 de maio, na China. A visita representa mais uma etapa para o fortalecimento da parceria entre a Fundação, o Instituto Federal e as universidades de Beijing e Hangzhou, além da prospecção de acordos com outras instituições chinesas para a consolidação da cooperação internacional entre os dois países.
Além de Francisco Pontes, a Fundação custeou a ida do coordenador de Tecnologia da Informação (TI), Hyago Dantas. Compuseram ainda a comitiva do IFRN a pró-reitora de Pesquisa, Pós-Graduação e Inovação (Propi), Francinaide Lima; o diretor sistêmico de Internacionalização, Bruno Rafael Costa; os diretores dos campi Apodi e Ipanguaçu, Cleone Lima e Geraldo Bezerra; e o assessor de Política Linguística da Diretoria de Internacionalização (Dint), Felipe Morais.
A agenda incluiu visitas ao Consulado-Geral do Brasil, em Xangai, e a seis instituições de ensino: à Universidade Agrícola da China (CAU) e à Universidade de Beihang, localizadas na capital chinesa, Beijing (mais conhecida pelos brasileiros como Pequim); ao China-LAC Technology Transfer Center (CLTTC) e à Universidade de Tecnologia de Dongguan (DGUT), na cidade de Dongguan; e à Zhejiang Agricultural and Forestry University (ZAFU) e à Universidade de Estudos Internacionais de Zhejiang (ZISU), em Hangzhou.
Esta foi a primeira vez que o reitor do IFRN e representantes da gestão da FUNCERN estiveram na China. Os integrantes da missão foram recebidos por Nan Qi, professora da Escola de Música da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), cedida ao IFRN para cooperação técnica e atuação junto à Propi na articulação de novas parcerias com a China, com o objetivo de facilitar a mobilidade acadêmica nas áreas de pesquisa, ensino e extensão.
A comitiva esteve acompanhada por um grupo composto por sete professores do IFRN e 28 alunos dos cursos de Mandarim, resultado de uma parceria entre a FUNCERN, o IFRN, a UFRN e a ZISU. Inicialmente, foram ofertadas 30 vagas para os estudantes, com os custos de hospedagem, alimentação e formação acadêmica incluídos no programa. Apenas o transporte ficou sob responsabilidade de cada intercambista.
Entre as atividades realizadas durante a viagem destacaram-se as cerimônias do chá, símbolo de hospitalidade, respeito e conexão para o povo chinês; a prática de Tai Chi Chuan, arte marcial que promove o cuidado com a saúde e o relaxamento; visitas a pontos turísticos, como a Rua Hefang, considerada a mais bem preservada de Hangzhou; e aulas ministradas por professores nativos sobre economia, política e cultura chinesa.
Segundo Nan Qi, os alunos tiveram uma excelente experiência no país. "Durante dez dias, participaram de um programa intensivo de atividades culturais e educativas na ZISU, com aulas ministradas por profissionais nativos e visitas guiadas a empresas, o que permitiu que colocassem em prática os conhecimentos adquiridos no idioma. Foram experiências certamente inesquecíveis e impactantes para todos", afirmou.
Os professores e gestores também participaram de reuniões no Consulado-Geral do Brasil, em Xangai, onde foram recebidos pelo cônsul Augusto Souto Pestana. No encontro, a delegação debateu os projetos em andamento, especialmente nas áreas de formação linguística, intercâmbio cultural e internacionalização da educação profissional e tecnológica, além de discutir o fortalecimento da parceria por meio da educação, da pesquisa e da inovação.
A comitiva visitou ainda as universidades ZISU e ZAFU, em Hangzhou, para a assinatura do acordo de cooperação que dará continuidade às iniciativas relacionadas ao curso de Mandarim, prevendo a atuação de quatro professores nativos da China — dois de cada instituição. Na CAU, foi realizado procedimento semelhante para a renovação do projeto de mecanização agrícola voltado à agricultura familiar, desenvolvido nos últimos anos nos campi Apodi e Ipanguaçu.
Outro foco da viagem foi a prospecção de novas ações para a construção de parcerias com universidades chinesas localizadas nas cidades de Beijing, Dongguan e Hangzhou. De acordo com a professora Nan Qi, os acordos firmados durante a visita devem viabilizar ações colaborativas com forte impacto para os estudantes, para a pesquisa e para outras frentes acadêmicas.
Em cada instituição visitada, os representantes tiveram a oportunidade de conhecer laboratórios, centros de pesquisa e estruturas voltadas à engenharia mecânica e à agricultura de precisão, além de plataformas de monitoramento e sistemas de análise de dados voltados ao apoio da produção agrícola em diferentes regiões do país.
A comitiva também visitou o grupo Alibaba, conglomerado chinês voltado ao comércio eletrônico, tecnologia, computação em nuvem e inteligência artificial, e a montadora Geely, primeira fabricante independente de veículos da China, para prospectar oportunidades de estágio e intercâmbio para estudantes.
Ponte Brasil-China como investimento para um futuro próspero
Um levantamento do Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC), divulgado no primeiro semestre de 2025, apontou que a China foi o maior investidor em novos negócios e projetos no Brasil durante o ano. O país recebeu cerca de US$ 6,1 bilhões, o equivalente a 10,9% do total aplicado no exterior, distribuídos entre os setores de energia, mineração e mobilidade elétrica.
O gerente Administrativo e Financeiro da FUNCERN explicou que esses dados evidenciam a importância de estreitar os laços entre os dois países. O objetivo é promover a geração de empregos, incentivar o desenvolvimento econômico e ampliar a cooperação tecnológica.
"A China hoje é o maior parceiro do Brasil tanto na educação quanto em áreas como tecnologia, segurança e gestão alimentar. A tendência é que essa participação aumente à medida que o país se destaca no cenário internacional. Por isso, cultivar esse vínculo será um diferencial imenso para nós", afirmou.
Durante o século XX, o inglês consolidou-se como a língua de maior alcance internacional em razão do protagonismo econômico, político e militar dos Estados Unidos após as Guerras Mundiais e a Guerra Fria. No entanto, especialistas em relações internacionais destacam que a crescente influência econômica, tecnológica e diplomática da China tem ampliado significativamente o interesse mundial pelo aprendizado do mandarim e pelo fortalecimento das relações acadêmicas e comerciais com o país.
Nesse contexto, estima-se que o mandarim desempenhe um papel cada vez mais estratégico no cenário internacional, especialmente para profissionais que atuam nas áreas de comércio exterior, tecnologia, ciência e inovação. Apesar disso, ainda persistem estereótipos e preconceitos históricos em relação ao continente asiático, o que torna ainda mais relevante o fortalecimento do intercâmbio cultural e educacional entre Brasil e China.
Francisco Pontes ressaltou que a procura pelo curso de Mandarim evidencia esse crescente interesse. "Quando abrimos o curso de Mandarim em parceria com a ZISU, recebemos cerca de 3 mil inscrições, mas disponibilizamos apenas 60 vagas. A procura foi muito superior à oferta, demonstrando o enorme interesse pelo idioma e pelas oportunidades que ele proporciona."
Segundo ele, esse cenário foi determinante para a ampliação das parcerias com universidades chinesas e para a assinatura de novos acordos de cooperação internacional.
"Neste sentido, o objetivo da viagem foi construir uma ponte para que possamos levar cada vez mais estudantes, professores e técnicos para a China, permitindo que aprendam com uma civilização de cinco mil anos de história. Queremos que essa seja uma via de mão dupla, em que eles também possam vir ao Brasil para conhecer nossa realidade, interagir conosco e despertar interesse em investir em nossas ações", explicou.
O reitor do IFRN destacou que, no início da gestão, em 2020, uma das prioridades institucionais foi ampliar as relações internacionais com países ainda pouco explorados pela instituição.
Para isso, o Instituto passou a fortalecer parcerias para além do eixo Europa-América, estabelecendo cooperação com países da América Latina, da África do Sul e da China, integrantes do BRICS, grupo que reúne algumas das principais economias emergentes do mundo. Nesse processo, a FUNCERN desempenhou papel estratégico como fundação de apoio às ações desenvolvidas pelo IFRN.
"A viagem também nos permitiu conhecer o potencial das universidades chinesas e avaliar como podemos ampliar nossos projetos conjuntos, além de discutir novas possibilidades de mobilidade internacional para estudantes, professores e técnicos-administrativos", concluiu José Arnóbio.
Oportunidade de intercâmbio intensivo
Eliza Morais, graduada em Design pela UFRN e aluna do nível 1 do curso de Mandarim, descreveu a viagem como a realização de um sonho que surgiu ainda na adolescência, durante o ensino médio: vivenciar um intercâmbio cultural e estudar idiomas como forma de investir na carreira profissional.
A estudante revelou que teve o primeiro contato com a cultura chinesa por meio de novelas e vlogs — vídeos voltados ao cotidiano, às viagens e às experiências pessoais — produzidos por criadores de conteúdo brasileiros que visitaram o país. A partir desse contato, despertou seu interesse pelo aprendizado da língua. Assim, quando a FUNCERN abriu as inscrições para o curso, ela se candidatou imediatamente e torceu para ser selecionada.
Segundo Eliza, além da oportunidade de intercâmbio, um dos grandes diferenciais do curso é a metodologia adotada nas aulas.
"O Mandarim sempre me pareceu um idioma muito difícil, principalmente pela necessidade de aprender os caracteres. Mas, ao iniciar o curso, descobri que a língua possui uma lógica muito interessante e uma história riquíssima. Como os professores são nativos, aprendemos não apenas o idioma, mas também aspectos da cultura chinesa. Essa troca cultural torna o aprendizado muito mais significativo", explicou.
Durante a entrevista, a intercambista compartilhou uma das experiências de que mais gostou durante o período de estudos: um bate-papo entre estudantes brasileiros e chineses, promovido por uma das professoras por meio da plataforma WeChat, aplicativo bastante utilizado na China e que reúne funcionalidades semelhantes às do WhatsApp, Instagram e carteira digital.
"Fiz amizade com uma estudante chamada Eva, que cursa Português na ZISU. Durante nossa conversa, trocamos curiosidades sobre a cultura de cada país. Enquanto eu contava para ela como é o São João no Brasil, ela me explicou sobre o Ano-Novo Chinês. Percebemos que temos muitas semelhanças. É justamente isso que aproxima os povos: aprender, compreender e valorizar a cultura um do outro", contou.
Agora, de volta ao Brasil, Eliza afirma enxergar a experiência como o início de uma trajetória ainda maior de formação acadêmica e profissional. "Hoje percebo com convicção que a China é um país que oferece inúmeras oportunidades de estudo e trabalho e que está de portas abertas para o Brasil. Quero continuar estudando Mandarim e, futuramente, participar de um novo intercâmbio, seja de curta duração ou de pós-graduação. Também desejo trabalhar em uma empresa chinesa, seja lá ou aqui no Brasil. Depois dessa experiência, acredito ainda mais no meu potencial", concluiu.