Mulheres que lideram: a força feminina na FUNCERN
No mês de março, a Fundação de Apoio à Educação e ao Desenvolvimento Tecnológico do Rio Grande do Norte (FUNCERN) realizou diversas ações em alusão ao Dia Internacional da Mulher, celebrado no dia 8, destacando a presença e a contribuição das mulheres na instituição. Mais do que ocupar espaços, elas desempenham papel essencial na condução de projetos, na tomada de decisões e no fortalecimento institucional da Fundação.
A participação feminina na FUNCERN reflete uma transformação importante na forma de liderar e gerir organizações. Com atuação em diferentes áreas estratégicas, as mulheres contribuem para o desenvolvimento de iniciativas que impactam diretamente a educação, a pesquisa e a inovação no Rio Grande do Norte.
Atualmente, elas representam a maioria no quadro de colaboradores da Fundação: são 150 mulheres, entre celetistas, bolsistas e aprendizes. Desse total, 10 ocupam cargos de confiança, como a superintendência, a gerência de projetos e coordenações setoriais. Os números evidenciam um cenário em que o talento e a dedicação feminina são fundamentais para o crescimento institucional.
Na gestão, a presença feminina está associada à capacidade de diálogo, à sensibilidade na condução de equipes e à visão estratégica orientada a resultados e ao impacto social. Atualmente, esses cargos são ocupados por Tânia Costa e Isabel Dantas.
Para além dos números, as mulheres que fazem parte da FUNCERN carregam histórias de dedicação, compromisso e superação. São trajetórias que revelam não apenas conquistas individuais, mas também o fortalecimento de uma cultura institucional mais inclusiva, colaborativa e inspiradora.
Tânia Costa: liderança feminina na educação e na gestão institucional
À frente da superintendência da FUNCERN, Tânia Costa representa uma trajetória marcada pela superação de barreiras históricas e pela construção de espaços de protagonismo feminino, especialmente em áreas tradicionalmente ocupadas por homens, como a educação profissional.
Em entrevista concedida à revista Uma Fundação com a identidade da Rede Federal, a superintendente destaca a importância da presença feminina na gestão: “O fortalecimento da liderança feminina não é apenas uma questão de justiça social; é também um fator crucial para um ambiente organizacional mais inclusivo, colaborativo e inovador, impactando positivamente a cultura da sociedade como um todo.”
Ao refletir sobre sua trajetória, Tânia destaca os desafios enfrentados pelas mulheres ao longo da história da educação profissional. “Considero que a educação profissional, historicamente, sempre esteve muito ligada ao público masculino. Levei praticamente um século para ser a segunda diretora de ensino e substituta do diretor-geral desde a criação da escola — a ETFRN, em 1909. Hoje, por exemplo, o IFRN tem 22 campi e apenas uma mulher eleita. Então, ainda é difícil para nós, mulheres, exercer esse protagonismo.”
A trajetória da superintendente evidencia a importância da representatividade feminina em cargos estratégicos e reforça o papel da liderança feminina na transformação institucional e social.
Nadja Costa: protagonismo feminino no Conselho Curador
A presidência do Conselho Curador da FUNCERN também é marcada por uma liderança feminina, contribuindo para a construção de uma gestão mais diversa e representativa. Para Nadja Costa, segunda mulher a ocupar esse cargo e a primeira a cumprir um mandato integral, trata-se de um avanço histórico e simbólico para a instituição. “Falar do protagonismo feminino no Conselho Curador, tendo outras mulheres também presentes como conselheiras, significa uma quebra de paradigma.”
A presidenta destaca como sua atuação pode abrir caminhos para outras mulheres. “Isso é desafiar normas e expectativas sociais. Ao trazer representatividade feminina, criam-se oportunidades e inspiram-se outras mulheres.”
Para ela, a presença feminina em espaços estratégicos ajuda a desconstruir estereótipos, demonstrando que a liderança feminina é possível e que as mulheres não ocupam apenas espaços de passividade ou funções associadas ao cuidado emocional. Com o reconhecimento de suas habilidades, o cenário revela mulheres assertivas, com empatia, boa comunicação e espírito colaborativo — características fundamentais nas relações sociais e institucionais.
Nadja acredita que essa representatividade contribui para mudanças institucionais relevantes: “Em um universo ainda marcado pelo machismo, pela misoginia e por diferentes formas de violência, inclusive política, essa presença dentro da FUNCERN estabelece um novo patamar, permitindo que não só as mulheres, mas outras pessoas na instituição, rompam com esse ciclo.”
A presidenta ressalta que a construção de um ambiente mais representativo é contínua. “Estamos construindo uma nova história, dia após dia. A busca pelo respeito, pela superação de preconceitos e de uma visão machista é um processo histórico”, afirma.
“Na minha gestão, implementamos a busca por maior paridade no Conselho da FUNCERN. Isso contribui para moldar um ambiente de empoderamento e participação efetiva das mulheres. Uma fortalece a outra”, finaliza.
Maria Cleide: mulheres na coordenação de projetos
Professora do IFRN e coordenadora de projetos apoiados pela FUNCERN, Maria Cleide construiu sua trajetória liderando iniciativas que impactam diretamente o desenvolvimento social e territorial, como o REURB Natal, GeoRural e GeoINCRA, entre outros, por meio do Núcleo de Extensão e Prática Profissional da Diretoria Acadêmica de Construção Civil (NEPPCON).
Maria Cleide reflete sobre os múltiplos papéis exercidos pelas mulheres e os impactos disso na vida profissional. “Hoje, temos um volume de trabalho muito grande e acumulamos muitos papéis, o que dificulta nossa atuação. Conciliamos maternidade, vida doméstica e carreira, e isso não é simples, mas me sinto realizada com o que faço.”
Apesar dos desafios, ela destaca a motivação que move sua atuação: “Tenho o privilégio de trabalhar com o que amo, coordenando projetos de extensão. Acredito que a liderança feminina está ligada à inspiração e à motivação. A trajetória de cada mulher pode servir de exemplo para que outras também ocupem esses espaços.”
“A mulher é mais exigida e, muitas vezes, questionada, como se aquele não fosse o seu lugar. Sinto isso em vários momentos, mas sigo persistindo, porque não podemos aceitar isso como verdade”, conclui.
Neide Cristina: a coragem de desbravar novos caminhos
Aluna do IFRN no curso de graduação em Gestão Pública, no mestrado em Uso Sustentável de Recursos Naturais e especialização em Inovação e Sustentabilidade na Esfera Pública, Neide Cristina é uma das mulheres que representa a força dos estudantes do IFRN na história da Fundação.
Inicialmente atuando em licitações e no atendimento a concursos públicos e processos seletivos, Neide criou metodologias para atendimento e fez parte da submissão das primeiras apoiadas da FUNCERN, criando um fluxo de ambos os serviços para projetos em editais nacionais e internacionais, com aprovação na FINEP, Banco do Nordeste, Caixa Econômica e demais financiadores de projetos de ensino, pesquisa e extensão.
Sua jornada na FUNCERN começou como bolsista, passando a assistente e, em seguida, analista e assessora de Relações Comerciais e Institucionais. Aprendeu com o rigor dos editais que a disciplina e a crença em sua capacidade, seja pessoal ou institucional, vence qualquer desafio. Hoje, preside a primeira Comissão Interna de Prevenção de Acidentes e de Assédio (CIPA) da FUNCERN e pesquisa temas como NR-1, assédio e violência e Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), trazendo novas perspectivas para o coletivo da Fundação.
Quando questionada, Neide diz que sua mensagem para as mulheres pode ser encontrada na obra "Grande Sertão: Veredas", de João Guimarães Rosa: "O que a vida quer da gente é coragem". E é com coragem, disciplina e serendipidade para adquirir novos conhecimentos, enfrentar desafios e abrir novos caminhos que a analista contribui para o desenvolvimento e crescimento da fundação por meio de suas atividades.
Ruth Silva: novos caminhos para mulheres na tecnologia
A trajetória de Ruth Silva representa a força das novas gerações e a ampliação da presença feminina em áreas tradicionalmente masculinas. Ex-jovem aprendiz da Fundação, atualmente ela integra o setor de Tecnologia da Informação da FUNCERN.
“Quando entrei no setor de TI da FUNCERN como jovem aprendiz, foi desafiador, porque vinha de um ambiente majoritariamente feminino e passei a atuar em uma área com predominância masculina”, relata.
Ruth destaca o acolhimento recebido e o impacto da experiência em sua trajetória: “Fui muito bem recebida pela equipe e nunca tive minha capacidade questionada por causa do meu gênero. A FUNCERN abriu portas e tornou minha trajetória mais leve, fortalecendo meu interesse pela área de TI.”
Para ela, ampliar a presença feminina nesses espaços é essencial. “É importante que as mulheres ocupem cada vez mais esses ambientes, pois isso reforça que somos capazes e competentes para assumir qualquer posição.”
Representatividade que transforma
As histórias dessas mulheres refletem a diversidade de trajetórias e o impacto da presença feminina na FUNCERN. Seja na gestão estratégica, na coordenação de projetos ou na atuação técnica, elas contribuem para fortalecer uma instituição mais inclusiva, inovadora e comprometida com o desenvolvimento social.
Mais do que celebrar o mês das mulheres, a FUNCERN reafirma, por meio dessas trajetórias, seu compromisso com a valorização da representatividade e com a construção de um ambiente institucional em que mulheres possam liderar, inspirar e transformar realidades todos os dias.